domingo, 6 de abril de 2008

O Professor Universitário na Perspectiva Andragógica

O PAPEL DO PROFESSOR UNIVERSITARIO NA PERSPECTIVA ANDRAGOGICA

Ao começar a vida universitária, os alunos esperam uma nova realidade educacional. Mas essa realidade nem sempre acontece.
Educandos que chegam à Universidade (...) se deparam com o mero continuísmo da educação fundamental e média: programas pré-organizados em períodos e disciplinas, conteúdos selecionados e estabelecidos unilateralmente pelos professores ou pela instituição; são forçados a se ajustarem a essa estrutura rígida, a ocupar o espaço de uma carteira que lhe é destinada como objetos da ação educacional da instituição. Devem fazer silêncio, prestar atenção à “performance” dos professores e memorizar os conteúdos com o objetivo de responder perguntas nos testes de avaliação. Se tiverem dúvidas (e coragem), poderão dirigir perguntas ao alto do púlpito docente, é claro, com o máximo de propriedade para não serem ridicularizados por professores ou colegas de classe.
(Cavalcanti, 2004/2005, p.48).

Conforme dito por Cavalcanti (1999), Kelvin Miller afirma que adultos conseguem guardar apenas 10 % do que ouvem, no espaço de 72 horas. Entretanto são capazes de lembrar 85% do que ouvem, vêm e fazem, após o mesmo prazo. Ele observou ainda que as informações mais lembradas são aquelas recebidas nos primeiros 15 minutos de uma aula ou palestra. É por isso, que os professores na andragogia tem que desempenhar um papel diferente do modelo clássico
A partir do que se entende por ser adulto, Oliveira (1998) passa a refletir sobre as conjecturas que devem direcionar a relação entre educador, escola, métodos didáticos e educando adulto, elaborando 14 princípios que oferecem um referencial objetivo para um bom relacionamento educacional, apresentados a seguir:
•Princípio 1 - O adulto é dotado de consciência crítica e consciência ingênua. Sua postura pró-ativa ou reativa tem direta relação com seu tipo de consciência predominante.
•Princípio 2 - Compartilhar experiências é fundamental para o adulto, tanto para reforçar suas crenças, como para influenciar as atitudes dos outros.
•Princípio 3 - A relação educacional de adulto é baseada na interação entre facilitador e aprendiz, onde ambos aprendem entre si, num clima de liberdade e pró-ação.
•Princípio 4 - A negociação com o adulto sobre seu interesse em participar de uma atividade de aprendizagem é chave para sua motivação.
•Princípio 5 - O centro das atividades educacionais de adulto é na aprendizagem e jamais no ensino.
•Princípio 6 - O adulto é o agente de sua aprendizagem e, por isso, é ele quem deve decidir sobre o que aprender.
•Princípio 7 - Aprender significa adquirir: conhecimento - habilidade - atitude (CHA). O processo de aprendizagem implica na aquisição incondicional e total desses três elementos;
•Princípio 8 - O processo de aprendizagem do adulto se desenvolve na seguinte ordem: sensibilização (motivação); pesquisa (estudo); discussão (esclarecimento); experimentação (prática); conclusão (convergência) e compartilhamento (sedimentação).
•Princípio 9 - A experiência é o melhor elemento motivador do adulto, portanto, o ambiente de aprendizagem com pessoas adultas precisa ser permeado de liberdade e incentivo para cada indivíduo falar de sua história, idéias, opinião, compreensão e conclusões.
•Princípio 10 - O diálogo é a essência do relacionamento educacional entre adultos, por isso a comunicação só se efetiva através dele.
•Princípio 11 - A práxis educacional do adulto precisa estar baseada na reflexão, na ação e, conseqüentemente, os assuntos devem ser discutidos e vivenciados para que não se caia no erro de se tornarem verbalistas, que induzem à reflexão, mas não são capazes de colocar em prática; ou, por outro lado, ativistas, que se apressam a executar, sem antes refletir nos prós e contras.
•Princípio 12 - Quem tem capacidade de ensinar o adulto é apenas Deus, que conhece o íntimo da pessoa e suas reais necessidades. Portanto, se você não é Deus, não se atreva a desempenhar esse papel!
•Princípio 13 - O professor tradicional prejudica o desenvolvimento do adulto, pois o coloca num plano inferior de dependência, reforçando, com isso, seu indesejável comportamento reativo próprio da fase infantil.
•Princípio 14 - O professor que exerce a "Educação Bancária" - depositador de conhecimentos - cria a perniciosa relação de "Opressor & Oprimido", que pode influenciar, negativamente, o modelo cognitivo do indivíduo, pela vida inteira, enfatizam algumas abordagens psicológicas que têm sido base para a construção de um modelo de aprendizagem para adultos.

Mapa Conceitual Andragogia - Atitudes e Técnicas


Fonte Prof. Roberto Cavalcanti

Mapa Conceitual Andragógico-Principios


Fonte Prof Roberto Cavalcanti

O Mapa Andragógico da Aprendizagem

Segundo Cavalcanti, a andragogia tem o aluno como processo de ensino- aprendizagem.

O processo de ensino-aprendizagem, do ponto de vista andragógico, procura tirar o máximo proveito das características peculiares dos adultos (...).Os resultados de todo o processo são potencializados, atingindo uma aprendizagem mais fácil, profunda, criativa. (Cavalcanti,2004/2005, p 48.)

Toda experiência adquirida pelos adultos em sua vivencia lhes dá condições para que possa tomar decisões.

Todo aprendizado na vida adulta é direcionada para seu interesse. O adulto decide o que quer aprender. Ele tem necessidade de conhecimento, mas um conhecimento que seja pratico em sua vida diária. Ficar em uma sala de aula, onde deve ficar horas estudando até alcançar um objetivo não é interessante para o adulto.

Em “Pedagogia da Autonomia”, Paulo Freire afirma que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. As matérias devem ser selecionadas pelo professor de acordo com as necessidades de seus alunos, contando com a ajuda dos mesmos no planejamento.

Existem conteúdos que devem ser estudados independentemente do parecer do aluno. Matérias que são importantes e significativas. Cabe ao educador buscar recursos que não deixem à aula maçante e que revele ao aluno a necessidade do conteúdo estudado.

Os Princípios da Andragogia

De acordo com Waal e Telles (2004), os 5 princípios da Andragogia são:

Autonomia: o adulto sente-se capaz de tomar suas próprias decisões (auto-administrar-se) e gosta de ser percebido e tratado como tal pelos outros.
Experiência: a experiência acumulada pelos adultos oferece uma excelente base para o aprendizado de novos conceitos e novas habilidades.
Prontidão para a Aprendizagem: o adulto tem maior interesse em aprender aquilo que está relacionado com situações reais de sua vida.
Aplicação da Aprendizagem: as visões de futuro e tempo do adulto levam-no a favorecer a aprendizagem daquilo que possa ter aplicação imediata, o que tem como corolário uma preferência pela aprendizagem centrada em problemas em detrimento de uma aprendizagem centrada em áreas de conhecimento.
Motivação para Aprender: os adultos são mais afetados pelas motivações internas que pelas motivações externas. Vale lembrar que as motivações externas estão ligadas seja ao desejo seja de obter prêmios ou compensações seja ao desejo de evitar punições; motivações internas estão ligadas aos valores e objetivos pessoais de cada um.
Fonte: A Andragogia (Knowles). Paula de Waal e Marcos Telles - Junho, 2004

Diferença Fundamental - Andragogia e Pedagogia

Segundo Cavalcanti (1999), crianças são seres indefesos, dependentes. Durante a idade escolar eles ainda aceitam a dependência, a autoridade do professor. O adulto ao contrário, já trás independência. Essa distinção infelizmente é ignorada, a mesma pedagogia é usada em crianças e adultos.

Enfim, o autor confirma que o modelo andragógico é um sistema de suposições que, também, incluem suposições pedagógicas.

Para o aluno adulto o mais importante não é a experiência do professor. Aquele que aprende de acordo com os métodos da pedagogia tira pouco proveito. De acordo com a visão andragógica os adultos possuem mais experiências que as crianças, e é isso que os diferencia. Suas experiências são um recurso para suas próprias aprendizagens.

Na andragogia, o processo de aprendizagem dos adultos busca utilidade em sua vida pessoal e profissional, enquanto na pedagogia a vontade de aprender está relacionada às finalidades de êxito escolar.

Nos processos pedagógicos, a aprendizagem está centrada nos conteúdos, e não nos problemas. Nos andragógicos, a aprendizagem é desfocada de conteúdos, é dirigida para a resolução de problemas e tarefas que se confrontam na vida cotidiana.

No plano pedagógico são fatores externos, como notas, que motivam a aprendizagem.Já no plano andragógico são estímulos internos como auto-estima e qualidade de vida que motivam o adulto para a aprendizagem.

O quadro a seguir representa as distinções dos dois campos

PEDAGOGIA X ANDRAGOGIA

Fonte: Cavalcanti, Revista clinica Cirúrgica da Paraíba,nº6,Ano 4,Julho de 1999.

Características da Aprendizagem

Pedagogia

Andragogia

Relação professor/aluno

Professor é o centro das ações, decide o que ensinar,como ensinar e avalia a aprendizagem

A aprendizagem adquire uma característica mais centrada no aluno, na independência e na auto-gestão da aprendizagem

Razoes da Aprendizagem

Crianças (ou adultos) devem aprender o que a sociedade espera que saibam (seguindo um currículo padronizado)

Pessoas aprendem o que realmente precisam saber (aprendizagem para a aplicação pratica na vida diária).

Experiência do aluno

O ensino é didático, padronizado e a experiência do aluno tem pouco valor

A experiência é rica fonte de aprendizagem, através da discussão e da solução de problemas em grupo.

Orientação da Aprendizagem

Aprendizagem por assunto ou matéria

Aprendizagem baseada em problemas, exigindo ampla gama de conhecimentos para se chegar à solução



O Que é Andragogia

2.1 O QUE É ANDRAGOGIA

Segundo Bellan (2005,p.20) “a andragogia é a ciência que estuda como os adultos aprendem”. A autora relata que foi o educador alemão Alexander Kapp em 1833, quem primeiro usou esta nomenclatura.

A Andragogia foi definida por Malcolm Knowles como a arte e ciência de ajudar o adulto a aprender, em oposição à Pedagogia, que cuida do ensino de crianças. Os conceitos de Knowles foram amplamente discutidos, prevalecendo, hoje, a posição de que os dois campos não são mutuamente excludentes. Segundo eles, Knowles chegou a indicar que os dois conceitos formariam um continuum, indo da educação centrada no professor à educação centrada no aprendedor. (WALL e TELLES, 2004).

Andragogia (do grego: andros - adulto e gogos - educar) procura compreender o adulto. Os adultos devido às experiências que passam durante a vida e o conhecimento que vem da realidade, buscam desafios e soluções que façam diferença em suas vidas.Eles aprendem melhor quando o assunto faz relação com sua vida diária. O aluno adulto, diferencia-se dos demais, na consciência de que precisa do conhecimento, que este lhe faz falta.

De acordo com Gomes, Pezzi e Bárcia (2006), os princípios da Andragogia e as teorias que sinalizam uma pedagogia voltada para o aluno, estão trazendo maiores contribuições no trabalho com adultos.

Nesse sentido, Knowles (1977) citado Gomes, Pezzi e Bárcia (2006, p. 3) diz que "a teoria da aprendizagem de adultos apresenta um desafio para os conceitos estáticos da inteligência, para as limitações padronizadas da educação convencional...".

A andragogia sendo a questionadora do modelo educacional aplicado nos adultos procura conhecer as particularidades da aprendizagem no adulto e adequar ou promover métodos didáticos para serem usados especificamente nessa população.